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Beberibe

September 26, 2015

 

Vídeos de Luiz Pessoa

No final de 2013, a convite de Beto Viana, tive a felicidade de participar de um projeto multidisciplinar sobre o rio Beberibe, em Recife-PE. Foram alguns meses de vivência, com visitas de campo, discussões e aprendizagem. Guardo lembranças contraditórias desses dias: beleza, indignação, a criança que brinca com o porco na meio do caos, o nojo e a pureza, a boneca sem cabeça, a cor marrom, a transformação dos extremos…

O resultado—a instalação “Beberibe”—ficou em exposição na Galeria Virgílio, no b_arco, em São Paulo, durante 25 de Janeiro e 6 de Março de 2014. Foi um trabalho coletivo, em que tive a oportunidade de colaborar com pessoas de grande talento: Antonio Melcop; Beto Viana; Carla Sarmento; Celso Hartkopf; Daaniel Araujo; DJ Dolores; Luiz Pessoa; e VJ Pixel. Pessoal, obrigado!

Imagens retiradas do site da memeLab—responsável pelo vídeo mapping

“O rio Beberibe serpenteia por Olinda, chega até o Recife e deságua no Oceano Atlântico. Entre a pureza de suas nascentes e seu fim, no centro da capital pernambucana, a realidade dos desacertos urbanísticos, da miséria e do esgotamento de sua vitalidade. Elaborada a partir de instalações, fotografias, ilustrações, vídeos, entrevistas e recortes sonoros, a exposição multissensorial Beberibe retrata a ação humana e sua interferência no rio, desde sua nascente límpida até as condições da mais extrema pobreza e degradação. É uma obra coletiva onde o visitante é convidado a conhecer a vida do rio e dos habitantes do seu entorno. Mais que uma precisa metáfora da degradação da cidade, um retrato poderoso que nos adverte sobre o futuro e faz suspirar aqueles mais velhos que lembram da harmônica simbiose entre o rio e o homem”.

Infelizmente, não possuo registros desse trabalho. O que se segue são registros que pude encontrar na internet quase dois anos após o evento. Minha contribuição foi conceitual, nas discussões sobre como integrar tantas linguagens distintas em uma unidade.

“Uma casa sobre a água, suspensa por palafitas. Do lado externo, madeiras, flandres, papelão, folhas de compensado, etc. Há uma ponte curta que é preciso percorrer  para entrar na casa pois as águas embaixo são turvas e repletas de lixo plástico, garrafas de vidros, garrafa pets, pedaços de madeira, destroços de um modo geral. Vê-se também pequenos corpos nus a flutuar, carrinhos, uma bola furada…. São brinquedos ordinários para nos fazer lembrar a infância em torno daquele ambiente.

O interior da casa contem um sofá, um rádio (…). É uma mobília desgastada, aparentemente recolhida no lixo de alguém. Do rádio vem vozes dos mais velhos, pessoas que conheceram o rio em tempos em que se nadava, pescava, uma época pré-poluição, perdida na memória daqueles cidadãos. (….) Há monóculos que contém fotos de moradores da beira do rio.

Duas janelas nas laterais do barraco estão semi-abertas. Ao abri-las, nos deparamos com margens distintas-o início e o fim”.

Ilustrações de Celso Hartkopf

Cenografia de Carla Sarmento

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Vídeos por Luiz Pessoa

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