Espelhos Recursivos: Momentos, Pessoas e Lugares

October 13, 2010

tive nos últimos dias o grande prazer de participar do Festival Contato, na cidade de São Carlos, São Paulo, com várias figuraças como Panetone, Jarbas Jácome, Ricardo Brazileiro, entre outros. o Festival foi excelente; conheci pessoas legais, festas e shows inesquecíveis, uma galera pra lá de gente fina na organização…. coisa fina mesmo!

além da oficina que demos por lá (muito bacana, por sinal), acabei levando também um novo trabalho desenvolvido especialmente para o Festival, sobre o qual pretendo falar um pouco mais neste post: o “Espelhos Recursivos”.

 

um dos Espelhos Recursivos

 

o “Espelhos Recursivos” é uma instalação interativa descentralizada, que se baseia no diálogo de pequenas unidades reflexivas independentes – os Espelhos Recursivos – para estabelecer conexões simbólicas entre momentos, pessoas e lugares, utilizando para isso uma metáfora digital para os espelhos comuns.

Nela, cada um desses Espelhos – formados por um computador, uma webcam e uma saída de vídeo (uma televisão ou um monitor), além de estarem localizados em diferentes locais de uma região da cidade – age de maneira semelhante: o presente refletido sofre uma releitura em tempo-real, passando a ser composto por frames antigos captados por todos os Espelhos da instalação, que passam a exercer o papel de “pixels” do vídeo original.

 

Crianças brincando com um Espelho Recursivo no Festival Contato

 

Dessa forma, cada Espelho Recursivo acaba exibindo um resultado único: um mosaico do presente – fruto das relações entre momentos situados em diferentes contextos de tempo e/ou espaço, através da interação Visitante-Espelhos.

Inspirado no Estereoscopia, de André Parente, e no Espelho Recursivo, o trabalho é um projeto Open-Source desenvolvido em C++, usando Openframeworks, sendo concebido e desenvolvido por Jeraman.

Mais fotos podem ser encontradas no Flickr:

http://www.flickr.com/photos/jeraman/sets/72157625032747919/

O código-fonte do projeto pode ser encontrado para download no github (projeto desenvolvido na versão do OF v0.06, no Codeblocks, para Linux):

http://github.com/downloads/jeraman/jeraman.lab/espelhos%20recursivos.zip


EITA, Porra! – Exposição Internacional de Tecnologia e Arte, Porra!

September 21, 2010

no último post falei sobre o Territórios Recombinantes, evento parte do SPA das Artes que participei durante os dias 11 e 15 de Setembro, no MAMAM, Pátio de São Pedro, no Recife. neste post, falarei um pouco sobre o projeto que desenvolvi durante os esses dias: o “EITA, Porra!”.

o “Exposição Internacional de Tecnologia e Arte, Porra!” – “EITA, Porra!” é um trabalho de intervenção urbana no formato de exposição aberta que propõe apresentar ao público em geral trabalhos em Arte & Tecnologia, utilizando uma Lan House popular, de menor custo possível, como plataforma de apresentação e/ou desenvolvimento destes trabalhos.

cartaz no centro da cidade

a intervenção se dá através do aluguel, por uma ou duas tardes, de todas as máquinas de uma Lan House popular pequena, nas quais serão instaladas algumas obras de baixo custo de realização, obras essas que devem tirar proveito da infra-estrutura limitada oferecida pelo local, numa linha “baixa tecnologia de ponta”, produzidas por artistas, cientistas e pesquisadores de diversos locais do Brasil e do Mundo.

além disso, o projeto possui um formato aberto, de modo a permitir que qualquer pessoa interessada possa realizar variações, releituras e estudos, possuindo como principais influências os Speed Shows, do grupo Free Art & Technology, a versão nacional do interactivos?, pelo Marginalia Project e o LaboCA.

a primeira edição do projeto aconteceu no último dia 16, entre as 12h e as 17h, na Pen House, Lan House localizada na Galeria Recife, ao lado do famoso Beco da Fome.


View Larger Map

algumas imagens podem ser encontradas no flickr:

http://www.flickr.com/photos/jeraman/sets/72157624947460174/

a galeria...

os visitantes...

durante o período da intervenção, a Lan House continuou funcionando normalmente. curiosamente, uma coisa podia ser notada com facilidade: independente da movimentação de pessoas, da quantidade de filmadoras e câmeras (em maior quantidade na abertura do evento – tanto pela presença de convidados, quanto pela presença de visitantes casuais que frequentam a Lan House no seu horário de almoço), ficou evidente que as pessoas não se sentiam muito a vontade para interagir – mesmo com as máquinas vazias e os textos sobre as máquinas… eis um bom aspecto a ser trabalhado nas próximas edições!

outra informação interessante é que o processo inteiro foi transmitido ao vivo pela internet, ampliando assim seu caráter “internacional” (dado que a intervenção contou também com trabalhos internacionais), desterritorializado, pois essa pequena ação acabou expandindo tudo o que acontecia no pequeno recinto da Pen House à todo o mundo…

e uma das obras!

próximos passos?

pretendo continuar explorando o contexto das Lan Houses através do experimento com outros “EITA, Porra’s!”, tentando trabalhar principalmente a questão da Lan House como uma plataforma de desenvolvimento de trabalhos artísticos, além de tentar explorar alternativas no sentido de mobilizar mais visitantes casuais a interagirem com o processo… vamos esperar pra ver… espero que daí saia coisa boa!

para maiores informações, sobre o projeto:

http://projetoeitaporra.wordpress.com/


correria e mais correria…

September 21, 2010

passando só pra documentar algumas novidades que aconteceram nos últimos dias, o que tem provocado aquela correria intensa…

Créditos da Foto: Maíra Gamarra

  • Continuum Festival, Recife (PE) – o Marvim Gainsbug participou de mais um festival aqui no Recife, dessa vez o Continuum Festival. ocorrido na Torre Malakoff durante a primeira metade do mês de setembro, o Festival vem trazendo no seu segundo ano muita coisa legal na área de Arte e Tecnologia à terrinha, além de divulgar os trabalhos que vem sido feitos por aqui… que venha a próxima edição! maiores informações – http://continuumfestival.com/

Galeria de Artes Visuais do espaço Oi Futuro em BH

  • Festival de Arte Digital, Belo Horizonte (MG) – logo após o Continuum, foi a vez do Marvim participar do FAD – o Festival de Arte Digital, ocorrido na Galeria Artes Visuais do espaço Oi Futuro, em Belo Horizonte. o principal ponto positivo aqui foi realmente o intercâmbio de idéias com artistas, novos amigos, loucos e figuraças inesquecíveis que conhecemos perdidos por BH… espero poder revê-los um dia! maiores informações no http://www.festivaldeartedigital.com.br/

Da esquerda pra direita, Mario Ramiro, Cristiano Lenhardt, Romoaldo, Daniela Castro, Yuri Firmeza, Ricardo Brazileiro, Artur Cordeiro, Maia Urstad, Aline Minharro, Camila Duprat e, logo abaixo, eu. Créditos da Foto: Artur Cordeiro e Yuri Firmeza.

além desses, já estão engatilhados alguns outros projetos que estão pra acontecer nos próximos dias… entre eles, uma atenção especial para o Ada 2.0b, que irá participar do GLI.TC/H, que acontece no final deste mês em Chicago (EUA), e o Marvim Gainsbug, que irá participar do FILE Rio, em Outubro, no Rio de Janeiro!

espero ir documentando tudo por aqui, a medida que a coisa vai acontecendo!

a roda não para de girar… vamos que vamos!


hackeando a iPhone SDK

August 4, 2010

seurat rodando na creuzinha (um iPod Touch)!

jogo rápido… dias atrás resolvi estudar um pouco sobre desenvolvimento para a iPhone SDK, o que me permitiria desenvolver aplicativos para iPhone/iPod/iPad. tudo ia muito bem, inclusive os testes para usar openframeworks dentro do iPhone, quando esbarrei num grande empecilho:

como saldo final, fica um ponto negativo: pagar por uma licença pra se tornar um desenvolvedor oficial… isso mesmo! pra se tornar um desenvolverdor-oficial-apple-foda-come-cuzes e assim passar seus aplicativos do simulador pra o aparelho, você terá que pagar a Apple e, além disso, o valor é uma bagatela simbólica no valor de 99$!!!

baseado numa dica de Filipe Calegario, comecei a pesquisar maneiras que me permitissem experimentar meus aplicativos no próprio aparelho, sem ter que pagar à Apple por isso. o processo, muito bem documentado em vários sites pela internet, pode ser dividido em 2 etapas distintas:

  1. realizar o Jailbrake no seu device:
  2. o objetivo de realizar isso é liberar seu Firmware para que ele possa receber Aplicativos que não foram oficialmente aprovados pela Apple, o que acaba abrindo possibilidades interessantes, como customizar vários elementos de interface, até desenvolver seus próprios aplicativos pra plataforma.

    existem diversos sofwares que fazem isso de maneira bem simples (vide redsn0w, blackra1n, spirit), a depender da versão do seu dispositivo, do seu firmware (você pode verificar essas informações em Ajuste > Geral > Sobre) e do software da sua máquina (sistema operacional e versão do itunes). isso é muito importante, pois os softwares citados não funcionam com todos os tipos de firmware/softwares/devices: é imprescindível que vc pesquise antes se o software escolhido é adequado para a sua plataforma.

    no meu caso, por exemplo, busquei por um software que fosse compatível com o iPod Touch 3G, firmware 3.1.3, o que me levou a optar pelo spirit (o único até agora que trabalha com essa versão. caso vá utilizar os outros, é necessário realizar um downgrade para a versão 3.1.2). utilizando com o iTunes 9.1, OSX 15.5.8, o processo tomou-me apenas alguns minutos e pouquíssimos cliques.

    um último comentário; esta operação, bem simples de ser executada dado a consideração acima, é perfeitamente legal do ponto de vista jurídico (na verdade, parece que nunca foi considerada ilegal, mas bem…). além disso, o Jailbrak não afeta em nada seu relacionamento com o iTunes e a AppleStore.

    fontes:
    [1] http://redsn0w.com
    [2] http://blackra1n.com
    [3] http://spiritjb.com

  3. configurar o ambiente de desenvolvimento:
  4. etapa um pouco mais complicada do que a etapa acima (envolve mexer no terminal, alterar arquivos)… mas nada de outro mundo! em linhas gerais, o processo consiste em criar uma assinatura digital para o código (codesign) e redefinir a forma como essa assinatura é verificada.

    tal como a etapa acima, aqui a versão do seu Firmware/Device também é muito importante: é imprescindível checar se os guias encontrados condizem com sua versão (dica: é legal dar uma checada nos comentários também, pois algumas pessoas por vezes testam o processo num outro firmware diferente e acabam encontrando uma forma de fazê-lo funcionar).

    uma dica de um bom guia passo-a-passo é o blogue de Alex White. caso não tenha gostado desse, ainda existem diversos outros guias espalhados pela web.

    fonte:
    [1] http://www.alexwhittemore.com/?p=354#more-354

bem é isso… espero ter ajudado!


LaboCA e Jorge Crowe no FILE-SP!

August 3, 2010

o movimento no Mezanino do prédio da FIESP/SESI na Avenida Paulista, São Paulo, foi muito intenso entre os dias 27 e 30 de Julho. gente com computadores por todos os lados, quebrando a cabeça em algoritmos psicodélicos, muito baralho de chip fritando sacudindo alto as caixas de som, entrando bem fundo nos ouvidos incautos junto com uma gritaria e algazarra que lembraria aos desavisados um verdadeiro hospício. loucura? não… só mais uma (na minha opinião, excelente) edição do LaboCA!

workshop integrante da programação oficial do FILE 2010, esta quarta edição do LaboCA foi talvez a maior que já fizemos em quantidade de pessoas: 5 oficineiros (eu, Jarbinhas, Braza, Calega e a participação muito mais que especial do “hermano” Jorge Crowe – cada um com seus conhecimentos específicos), cerca de 30 a 40 pessoas por dia (advindas de várias áreas diferentes)… com tanta mistura de conhecimento e vontade de ensinar/aprender, será que haveria como não ser legal?

foi. e muito. tá certo que sou meio suspeito em falar… mas talvez as fotos e os vídeos dos trabalhos produzidos por lá falem mais do que qualquer palavra minha.

além de todas as pessoas citadas, a cada dia contávamos com visitas pra lá de especiais. Guto Nóbrega, Jaime Oliver, Sung Heng, Fernando Velázquez, Felipe Fonseca, sem falar do grande mestre das gambiarras loucas Panetone, que levou alguns dos seus brinquedos pra lá:

independente de todas as visitas e da qualidade dos experimentações feitas, a característica que mais me chamou a atenção nesta edição do laboratório foi a metodologia em si: pela primeira vez deixamos de lado a idéia de levar algo pronto, amarrado, pré-estabelecido, levando apenas nosso conhecimento e a vontade de tentar experimentar uma metodologia nova, não linear, construída horizontalmente com e para os participantes, levando em conta seus interesses e suas necessidades específicas.

baseado nisso, surgiu uma metodologia descentralizada, na qual era difícil distinguir “alunos” e “oficineiros”, com várias pequenas oficinas com temáticas diferentes ocorrendo em paralelo, mas dialogando entre si; tanto no sentido de ver sem entender, despertando a curiosidade sobre as outras tecnologias, tanto no sentido de um diálogo direto, o que possibilitou o surgimento de projetos como o mostrado abaixo (nascido da junção de um pessoal que estudava Arduino e de outro que estudava introdução à programação com o Processing);

saldo final: mais um LaboCA inesquecível, que deixou um gostinho de saudades e quero mais…

mais fotos disponíveis no Flickr do LaboCA

http://www.flickr.com/photos/olaboca/sets/72157624514614649/

ps: o código-fonte de todas as obras produzidas estão sendo postadas aos poucos no site do LaboCA para que possam ser utilizados como estudo.


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